Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020
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'Depressão sorridente': Por que a versão atípica da doença é tão perigosa

Um sorriso é sinal de felicidade, certo?

Publicada em 01/08/19 às 11:09h

por Nóticias ao Minuto


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 (Foto: Reprodução )
No entanto, há pessoas, que são capazes de sorrir, viver momentos alegres e, ainda assim, nutrir sentimentos suicidas.

São aquelas afetadas pelo que se conhece popularmente como ‘depressão sorridente’ - o ou em termos médicos depressão atípica, como explica Olivia Remes, especialista em ansiedade e depressão da Universidade de Cambridge num artigo divulgado na publicação científica The Conversation.

Remes explica que é difícil identificar aqueles que sofrem da doença exatamente porque os sintomas são frequentemente mascarados por falsas demonstrações de felicidade e porque, muitas vezes, são pessoas sem motivo aparente para estarem deprimidas: têm um trabalho, uma casa, amigos e até cônjuge e filhos.

Alguns dos sintomas, contudo, podem ajudar-nos a detetar quando alguém - ou nós mesmos - está deprimido, ainda que dê mostras pontuais de felicidade.

Os sintomas

Apesar de variarem de pessoa para pessoa, estes são os mais comuns:

- Uma melhoria temporária do estado de ânimo - provocada, por exemplo, por boas notícias, a mensagem de um amigo ou um elogio do chefe - seguida de uma recaída;

- Aumento do apetite e ganho de peso;

- Dormir durante muitas horas e, ainda assim, sentir sono durante o dia (enquanto outros tipos de depressão fazem as pessoas dormirem menos);

- Sensação de torpor e peso nos braços e nas pernas em vários momentos durante o dia;

- Maior sensibilidade a críticas e rejeição, que pode afetar as relações pessoais e de trabalho.

Mais perigosa

A dificuldade de se perceber que uma pessoa que aparentemente se encontra bem está com depressão torna esta variante da doença mais perigosa do que as outras, ressalta Remes.

Mas há outros fatores que agravam esses casos, segundo a especialista.

Por um lado, aquele que sofre da doença atípica demora mais a procurar tratamento por não conseguir identificá-la. Por outro lado, esses mesmos indivíduos costumam ter uma maior dificuldade para reconhecer emoções.

Além disso, a capacidade daqueles que sofrem deste tipo de depressão de continuar a realizar eficazmente as atividades do dia a dia pode ser contraproducente. Remes é clara nesse sentido no seu artigo.

"A força que têm para seguir com a vida diária pode deixá-las especialmente vulneráveis a levar a cabo pensamentos suicidas. Isso contrasta com outras formas de depressão, nas quais as pessoas podem ter pensamentos suicidas, mas não energia suficiente para levá-los adiante”.

O tratamento geralmente envolve a prescrição de medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida.

Remes acrescenta, ainda, a realização regular de exercício físico e a prática da meditação, que, segundo ela, têm trazido bons resultados na prática clínica.

Se estiver a sofrer de depressão, tiver pensamentos auto-destrutivos ou simplesmente necessitar de falar com alguém deverá consultar um psiquiatra, psicólogo ou clínico geral.

Fonte: Notícias ao Minuto




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